Atualizado em 22 de janeiro | 2021 por SAS

O ano de 2021 será marcado por transformações estruturais importantes na educação, principalmente com a chegada da flexibilização do currículo nas escolas e as novas matérias do Ensino Médio.

Será um período de muitos desafios para professores e alunos,  que, por sua vez, terão de se adaptar a uma carga horária maior e a conteúdos diferentes. As novas matérias do Ensino Médio também vão exigir que gestores escolares e suas equipes repensem o planejamento estratégico e o planejamento pedagógico da escola.

Portanto, é fundamental conhecer quais as principais diferenças entre o antigo e o novo currículo. E, para ajudar a sua escola a se preparar para essas novidades, desenvolvemos este texto com sugestões do que você não pode esquecer. 

Boa leitura! 

O Novo Ensino Médio

A reforma do Novo Ensino Médio foi instituída pela Lei 13.415/2017, que fez alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Um dos principais pontos dessa mudança, que tem causado muitas dúvidas e polêmicas, é a flexibilização do currículo que organiza as disciplinas em itinerários formativos e traz a possibilidade de introduzir as novas matérias do Ensino Médio.

De acordo com a reforma, o currículo de escolas públicas e particulares precisará contemplar 60% de conteúdos previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e 40% baseados nos itinerários formativos. 

Essa flexibilização permite ao aluno escolher a área de conhecimento que deseja se aprofundar, assim como acontece em faculdades e universidades. Porém, as disciplinas de português, inglês e matemática são obrigatórias para todos os estudantes durante os três anos do Ensino Médio. 

Outro destaque é que a nova legislação obriga que o Projeto de Vida dos estudantes seja uma nova matéria do Ensino Médio, que deve ser desenvolvida em todas as escolas. 

Além de acompanhar as mudanças no currículo e o surgimento de novas matérias do Ensino Médio, os estudantes enfrentarão mais uma adaptação sensível: o aumento do tempo diário de aulas. 

A carga horária regulamentada pela LDB, anteriormente, em 800 horas anuais, deve ser ampliada progressivamente para 1.400 horas anuais, o que equivale a sete horas de aulas por dia. Desta forma, futuramente, o ensino em tempo integral será uma realidade em todas as escolas.

Para demonstrar  como será na prática, trazemos o exemplo do Estado de São Paulo, o primeiro em todo o Brasil a começar a implementar as mudanças no currículo em 2020. 

Neste ano, o governo paulista anunciou a introdução de novas matérias do Ensino Médio, segundo itinerários formativos, como as aulas de Projeto de Vida, de empreendedorismo, ética e cidadania, educação financeira, mídias digitais, robótica, entre outros. É importante lembrar que foi estipulado que as escolas têm até o final de 2022 para concluir as mudanças do Novo Ensino Médio. A reestruturação do currículo passa por normativas do MEC e das secretarias de educação, como é o caso de São Paulo. Por isso, a dica é que as escolas estejam atentas aos comunicados e determinações oficiais.

Quais os principais objetivos da mudança? 

A reforma do Ensino Médio tem como foco aproximar os currículos das escolas das demandas do século 21, com relação às competências necessárias que os alunos precisam desenvolver para enfrentar desafios do futuro, seja no âmbito dos conteúdos formais, ou das habilidades socioemocionais

Neste contexto, é um objetivo fortalecer o protagonismo e autonomia dos jovens, ajudá-los a desenvolver as suas habilidades em áreas que eles têm mais afinidade e despertar nesta população o interesse por um projeto de vida adequado. 

As novas matérias do Ensino Médio têm, também, o intuito de prepará-los para o mercado de trabalho, melhorando as taxas de evasão escolar e o baixo rendimento dos alunos brasileiros nas avaliações em massa calculadas pelo Ideb e pelo Pisa. 

Benefícios e desafios da adaptação das novas matérias do Ensino Médio

Entre alguns dos principais benefícios da introdução das novas matérias do Ensino Médio, podemos citar:

  • Estímulo ao interesse do alunos na escola;
  • Aumento do rendimento do aluno;
  • Diminuição da evasão escolar; 
  • Modernização da grade curricular seguindo o mesmo modelo dos países desenvolvidos.

Já entre os maiores desafios que as escolas podem enfrentar estão:

  • Formação adequada de professores para atender aos itinerários formativos;
  • Capacidade financeira para fazer mudanças de estrutura e de recursos humanos;
  • Enfrentamento da possível sobrecarga de alunos e professores no contexto da pandemia e das mudanças do currículo;  
  • Envolvimento de toda a comunidade escolar no processo de mudança.
As novas matérias do Ensino Médio trazem mudanças para todos: alunos, escola e comunidade escolar.

Tudo sobre as matérias do Ensino Médio 2021

De acordo com a nova proposta, como já foi citado acima, as escolas deverão seguir itinerários formativos, o que muitas pessoas conhecem como as “novas matérias do Ensino Médio”. Na verdade, eles são as áreas de conhecimento que vão agrupar o conjunto de disciplinas, projetos, oficinas e núcleos de estudo que os estudantes poderão escolher. 

As redes de ensino terão autonomia para definir quais os itinerários formativos serão oferecidos, levando em consideração a participação de toda a comunidade escolar.

Isto significa que as escolas poderão organizar os itinerários formativos de diversas maneiras e, também, poderão oferecer novas matérias do Ensino Médio a partir deles, de acordo com a realidade social a qual pertencem. 

Itinerários formativos

As escolas deverão seguir, obrigatoriamente, os itinerários formativos em consonância com as diretrizes da BNCC, que ficaram divididos da seguinte maneira: 

  • Linguagens e suas tecnologias; 
  • Matemática e suas tecnologias;
  • Ciências da Natureza e suas tecnologias; 
  • Ciências Humanas e Sociais Aplicadas;
  • Formação Técnica e Profissional (disciplinas, projetos e cursos que visam preparar os alunos para o mercado de trabalho).

Além disso, o MEC estabeleceu que cada um destes itinerários devem estar organizados a partir de quatro eixos estruturantes: Investigação Científica, Processos Criativos, Mediação e Intervenção Sociocultural e Empreendedorismo.

A ideia é que, a partir dos itinerários formativos, o aluno escolha um percurso  de aprendizado coerente com seus interesses e aptidões. 

Componentes curriculares

Segundo o MEC, nenhuma disciplina será excluída e os conhecimentos dos componentes que os alunos devem estudar estão contemplados pela BNCC. 

Na prática, significa que as escolas devem incluir nos currículos o ensino de habilidades e competências das disciplinas já existentes no modelo anterior: Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Física, Química, Biologia, Artes, Educação Física, Sociologia, Filosofia e Inglês. 

Porém, alguns conteúdos podem ser inseridos de maneira transversal ou pontual dentro de outras disciplinas, enquanto que Português, Matemática e Inglês permanecem obrigatórios, como mencionamos acima. Em síntese, a aprendizagem dos alunos se dará a partir dos componentes já contemplados pela BNCC, somado aos itinerários formativos e às novas matérias do Ensino Médio. Esse modelo permite, por exemplo, uma transversalidade, de modo que um estudante aprenda matemática ao escolher participar de uma matéria de robótica oferecida na escola.

Enem e o Novo Ensino Médio

Até o momento, a previsão é de que serão oferecidas duas provas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem),  sendo que a primeira terá os conteúdos da BNCC, e a segunda será  de acordo com os itinerários formativos. 

Porém, o processo de reformulação da nova matriz de referência do Enem, alinhada à BNCC e ao Novo Ensino Médio nesse formato, ainda está em discussão pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e por entidades de educação. 

Em 2021, começa o Enem seriado, com a avaliação 100% digital, e, de acordo com o Inep, a matriz da prova será baseada nas disciplinas de língua portuguesa e matemática. 

Adequação ao novo direcionamento do Ensino Médio

Ainda existem dúvidas em relação à didática e à infraestrutura para atender as demandas das novas matérias do Ensino Médio. A seguir, confira alguns pontos que merecem mais atenção: 

  • Adequação do currículo

A escola deverá reformular os currículos levando em conta a carga horária e a necessidade de promover a flexibilização de acordo com os itinerários formativos, atendendo à nova legislação vigente. Vale, por exemplo, pesquisar os documentos oficiais publicados, para checar se a instituição está seguindo as normativas.

  • Promover diagnósticos avançados

É importante, também, fazer um levantamento das condições da escola em oferecer as novas matérias do Ensino Médio de acordo com os itinerários formativos. Por exemplo: avaliar se é necessário ter mais laboratórios, salas de aulas especiais, se há tecnologias suficientes para promover inovações, como um bom acesso à internet, e se a contratação de novos professores é necessária.

  • Planejamento estratégico

Também é recomendável fazer um planejamento estratégico para incluir todas as possibilidades que podem ser implementadas ou não. Deve-se avaliar quais novas matérias do Ensino Médio a escola pode oferecer dentro da sua realidade e demandas da sua localidade. Outro ponto a ser observado é ter um cronograma bem definido para essas alterações e planos de ação.

  • Projeto Político Pedagógico

Vale lembrar, ainda, que a escola não pode esquecer de alinhar as alterações previstas na grade curricular ao Projeto Político Pedagógico (PPP) da instituição.

Como o SAS pode ajudar?

Por meio da nossa consultoria pedagógica completa e personalizada, oferecemos acompanhamento especializado para ajudar os alunos a construírem o seu futuro e a se tornarem cidadãos conscientes do seu papel na sociedade. 

Para isso, o SAS conta uma proposta de Projeto de Vida que leva em consideração o ensino presencial e híbrido, com atividades focadas neste tema em sala de aula e no meio digital. 

Os alunos têm acesso, por exemplo, ao aplicativo PROJET, desenvolvido com o objetivo de incentivar os estudantes a pensarem seus objetivos pessoais e profissionais. O app possibilita aos jovens, por meio de atividades on-line, interagir com uma jornada de aprendizagem composta por desafios. Para conhecer mais sobre a importância do Projeto de Vida, clique aqui e fale com um de nossos consultores.