Enem digital: o que devemos esperar dessa nova modalidade?

maio | 2020

Anunciado desde o ano passado pelo Inep, o Enem Digital chega, trazendo muitas possibilidades e, também, muitos desafios para os mais de 5 milhões de estudantes inscritos na prova todos os anos.  

As inscrições para mais um Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já começaram, e muitos alunos estão de olho no relógio para não perder o prazo e garantir a realização da prova, que é a principal porta de entrada para diversas universidades federais e privadas, em todo Brasil. Com novas datas oficiais ainda não divulgadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a próxima edição do Enem chegará com uma novidade: pela primeira vez na história, o exame vai poder ser realizado, também, por vias digitais. 

Com o Enem Digital, o objetivo do Ministério da Educação (MEC) é que, até 2026, a versão do exame em papel, aplicada desde 1998, seja extinta. Ou seja, todos os estudantes que queiram ingressar no ensino superior pelo SISU daqui a 6 anos, vão precisar realizá-lo. No ano de estreia, a nova modalidade será disponibilizada para 101.100 mil candidatos em 60 cidades de todo país.  

O modelo digital do Enem segue uma tendência mundial, liderada por Estados Unidos (S.A.T) e China (Gaokao), que já vêm realizando, há anos, exames digitais como forma de acesso ao Ensino Superior. Aqui no Brasil, aplicação de processos seletivos via internet não é novidade. Algumas faculdades e universidades já aplicam provas de vestibular on-line, onde os candidatos podem realizá-las no conforto de suas próprias casas. 

 Embora a grande maioria dos candidatos que vão prestar a edição inaugural do Enem Digital já tenham nascido imersos em um ambiente hiperconectado e tenham bastante afinidade com dispositivos eletrônicos, a novidade traz algumas incertezas e questionamentos. Afinal, o que muda com esse novo formato? Ele é melhor do que a versão impressa?  

Vamos conhecer as principais vantagens do Enem Digital: 

  1. Custo: 

De acordo com especialistas, o Enem Digital pode ser bem mais interessante quando consideramos os custos envolvidos na aplicação da prova a longo prazo. Esse formato pode ser mais barato do que distribuir, anualmente, 12 milhões de cópias impressas para todo país. Vale ressaltar que, nos anos de implantação, os custos certamente serão mais elevados por conta de investimentos em segurança cibernética e tecnologia, por exemplo, mas tendem a diminuir com o passar do tempo. 

  1. Novas potencialidades: 

Com a aplicação da prova em um ambiente digital, fotos, tirinhas e obras de arte coloridas poderão ser utilizadas na elaboração das questões, o que facilita bastante a análise e a leitura das imagens. Além disso, os resultados de cada prova podem ser mensurados com mais rapidez e praticidade. 

  1. Mais possibilidades para o candidato: 

Segundo o cronograma do Inep, a ideia é que, até 2026, o Enem Digital seja aplicado diversas vezes ao ano (até 7 vezes), aumentando as possibilidades para o aluno. Ainda não foi divulgado pelo órgão quantas vezes o candidato poderá realizar a prova em um mesmo ano, mas só o fato de a prova ser aplicada mais vezes no período letivo já aumenta as chances de ele optar por fazer o exame em mais de uma data. 

  1. Adaptabilidade: 

Ao longo dos anos, o Enem impresso sofreu diversas melhorias e se adaptou a diversos fatores de inclusão, que tornassem a prova mais acessível a todos. A chegada do Enem Digital apresenta, dessa forma, novas formas e caminhos para gerar ainda mais adaptabilidade. 

  1. Evolução contínua: 

A prova do Enem impressa, como conhecemos hoje, já é um exame maduro. O formato digital chega, portanto, com maiores chances de evoluir e se aprimorar com o passar dos anos, podendo se adaptar às novas tecnologias, plataformas e metodologias pedagógicas, que permitam melhores experiência para os alunos.  

Mesmo diante de todas essas vantagens, o Enem Digital também traz algumas incertezas. Uma das principais, sem dúvida, diz respeito à segurança da informação. Historicamente, já vivemos casos de provas vazadas e outras fraudes relacionadas ao Enem. No ambiente digital, alvo constante de ataques cibernéticos e da ação hackers, esses cuidados precisam ser ainda mais redobrados para não comprometer a credibilidade do exame. Para diminuir esses riscos, a 1ª edição do Enem Digital vai ser realizada, apenas, em postos autorizados pelo Inep.  

Outro questionamento sobre o novo formato do Enem diz respeito à inclusão digital. Sabemos que o Brasil é um país de profundas desigualdades sociais, onde o acesso à internet ainda não é um privilégio de todos. Dessa forma, como garantir que todos os candidatos ao Enem estejam 100% adaptados à nova modalidade da prova? Para garantir a adaptação é preciso, primeiramente, facilitar o acesso à tecnologia. Além disso, como a vaga para a universidade pública passará a ser aferida pelo Enem, tanto nas modalidades impressa como digital, é importante que o Inep faça com que as questões entre uma prova e a outra possuam comparabilidade, uma vez que as experiências de realização da prova em papel e em meios digitais são bastante distintas. Os desafios do governo diante desse cenário são, portanto, grandes e ousados. 

Mesmo com algumas previsões, ainda não temos todas as respostas. Só vamos conseguir entender, de fato, como o Enem Digital será recebido pelos candidatos e pela comunidade escolar, depois desse primeiro teste. O governo tem 6 anos desafiadores pela frente, nos quais vai precisar garantir acessibilidade, segurança da informação, melhores metodologias de validação de resultados, entre outros, para tornar o Enem um exame para todos. Com certeza, tem muito trabalho a ser feito, pois, no final das contas, todos os esforços precisam priorizar os interesses daquele que é sempre o mais impactado com todas essas mudanças: o aluno.  

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Autor do artigo

Ademar Celedônio
POR Ademar Celedônio
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