Atualizado em novembro | 2020 por SAS

A gestão democrática nas escolas está inserida nos programas educacionais, tanto de escolas públicas quanto privadas, e faz parte dos processos de reforma do ensino, que vem ocorrendo desde a década de 80.

O conceito da gestão democrática pressupõe que todos os sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem participem das decisões escolares e estejam comprometidos com os objetivos da escola.

Embora tenha sido preconizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1996, a gestão democrática ainda é um desafio para muitos educadores e gestores escolares. A sua efetiva implementação requer quebras de paradigmas da equipe pedagógica e a redução de atitudes autocráticas, além da adoção de relações horizontais entre diretores, gestores e funcionários. 

O pesquisador Vitor Henrique Paro menciona em seu livro  “Administração escolar: introdução crítica” (2008), que os gestores escolares precisam se conscientizar da necessidade da “descentralização” e do “compartilhamento de responsabilidades”. 

Porém, de acordo com Paro, o que pode ocorrer na prática é a “mera rotinização e burocratização das atividades”  na escola, o que não contribui para a eficiência das finalidades educativas da instituição.  

Para entender melhor o que é gestão democrática e o que a torna um tema  importante para ser trabalhado na escola, continue a leitura.

O que é a gestão democrática? 

A gestão democrática é um modelo de gestão escolar amparado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado também na Lei Nº 9.394 de dezembro de 1996, a chamada LDB, e no Plano Nacional da Educação (PNE).

Atualmente, a gestão democrática escolar é uma tendência mundial, apontada por especialistas e educadores como o melhor caminho para atender as expectativas da comunidade escolar e atingir melhores resultados no ensino. 

Esse modelo de gestão transforma todos participantes dos processos escolares em protagonistas das decisões e dos caminhos adotados pela escola. Essa mentalidade rompe com o antigo modelo tradicional, no qual o poder é centrado unicamente na figura dos diretores. 

Portanto, na prática, significa incluir e consultar a opinião do público escolar  em geral, ou seja, professores, demais funcionários, pais e alunos, sobre o que é melhor para a escola. Também entram nessa consulta colegiados, como os Grêmios Estudantis, os Conselhos de Classe e Escolar e as APMFs (Associações de Pais, Mestres e Professores), podendo incluir, até mesmo,  lideranças políticas. 

Afinal, as escolas também atendem a interesses culturais e sociais das suas localidades e atuam, muitas vezes, em parceria com o poder público.

É válido ressaltar, ainda, que a gestão democrática é um modelo de gestão, cujo objetivo é conduzir a administração da escola e as decisões coletivas com mais transparência. 

Princípios da gestão democrática

Entre os princípios que norteiam a gestão democrática estão:

  • Descentralização das decisões; 
  • Divisão de responsabilidades;
  • Transparência;
  • Participação;
  • Cooperação;
  • Liberdade;
  • Igualdade.

De acordo com as ideias do pesquisador José Carlos Libâneo, presentes no livro “Organização e Gestão da Escola: teoria e prática” (2004), “a participação é o principal meio de assegurar gestão democrática, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar”.

Benefícios e desafios da implementação 

A gestão democrática poderá oferecer uma ótima relação entre escola a família e um ensino adequado para os alunos.

Diversos estudos de especialistas e relatos de educadores demonstram que a falta de integração entre os membros de uma comunidade escolar gera insegurança e incertezas sobre o futuro. 

E, diante do atual cenário de pandemia, o espírito de coletividade e cooperação se tornaram ainda mais importantes, a fim de auxiliar alunos na sua jornada de aprendizagem.  

Portanto, confira alguns benefícios da implementação da gestão democrática para esse momento de crise e para além dele:

Benefícios 

Além desse auxílio mencionado acima, veja outros benefícios da gestão democrática:

  • O hábito de compartilhar ideias e dividir responsabilidades aumenta a confiança entre os integrantes da comunidade escolar e facilita a descoberta de soluções para os problemas enfrentados no cotidiano;
  • A adoção da gestão democrática possibilita também conhecer mais a fundo as necessidades dos alunos e do seu entorno. Com essas informações, a escola pode atender melhor às demandas da realidade onde está inserida;
  •  O maior engajamento de funcionários, equipe pedagógica, alunos e familiares, contribui para que a escola atinja seus objetivos com mais qualidade e eficiência; 

Desafios

  • Segundo especialistas, o maior obstáculo para que a gestão democrática seja realidade em todas as escolas é que o sistema educacional brasileiro ainda não está totalmente formatado para esse modelo, que requer políticas públicas adequadas;
  • Conseguir motivar toda a comunidade a participar desse modelo, que só faz sentido com o envolvimento coletivo, também está entre os desafios enfrentados por gestores escolares.
  • A realidade das escolas públicas e privadas é muito diversa no Brasil. Também é mais desafiador para algumas instituições implementar a gestão democrática devido a limitações de recursos que dificultam seu alinhamento às necessidades da sociedade atual, como investir em tecnologias, por exemplo.

7 motivos para trabalhar com a gestão democrática 

Ainda que possua seus desafios, a gestão democrática também traz grandes vantagens. Confira 7 motivos para trabalhar a gestão democrática na sua escola:

  1. Une todos os responsáveis pela educação do aluno

O compartilhamento da responsabilidade entre os integrantes da comunidade escolar possibilita que todos tenham uma visão mais próxima dos desafios cotidianos e assumam protagonismo.

  1. Amplia o nível de satisfação dos envolvidos

A gestão democrática diminui os índices de insatisfação e reclamações em relação às deliberações da escola. Isto porque oferece oportunidade a todos os integrantes da comunidade de se expressarem e compreenderem, por meio do diálogo, os motivos e necessidades de cada ação implementada.

  1. Proporciona um ensino muito mais eficaz

Esse modelo de gestão melhora a qualidade da educação ao preparar o aluno para a convivência em sociedade. A aplicação dos princípios da gestão democrática mostra ao estudante como ser um bom cidadão na prática, respeitando as diferenças e expressando suas opiniões.

  1. Fortalecimento do vínculo da família com a escola

Ao participar ativamente do processo de decisão, a família passa a se apropriar do espaço escolar e atuar efetivamente em parceria com os educadores. Essa aproximação desperta um sentimento de “fazer a diferença” na vida da escola e do aluno, o que consequentemente aumenta o engajamento dos familiares. 

  1. Aumento da transparência na tomada de decisão

Os direcionamentos para as questões escolares podem deixar dúvidas em alguns integrantes da comunidade em relação às práticas pedagógicas, na utilização de recursos materiais e financeiros, por exemplo. Por isso, é importante ter transparência nas ações, que é, também, um princípio administrativo ligado ao conceito de Governança Corporativa que todos os gestores devem seguir.

  1. Ganho de autonomia

Por meio desse modelo de gestão, todas as pessoas envolvidas têm a oportunidade de desenvolver mais autonomia e responsabilidade em relação ao que acontece na escola. O aluno também aprende a ser mais organizado, absorvendo conceitos de administração e liderança

  1. Desenvolve habilidades socioemocionais;

Um dos maiores ruídos  de comunicação entre as pessoas está na falta de escuta. O modelo de gestão democrática favorece, portanto, o desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Outro ponto é que, ao ter as suas ideias ouvidas e reconhecidas, os alunos passam a desenvolver mais autoconfiança.

Como aplicar a gestão democrática

Existem vários processos para a aplicação da gestão democrática nas escolas. Porém, antes de aplicá-los, é recomendável ouvir as expectativas da comunidade escolar e fazer um planejamento estratégico.

Também é fundamental que todos compreendam qual é o seu papel no processo da gestão democrática. Assim, também é possível engajar todos os envolvidos na formulação dos projetos.  

Uma dica é manter vários canais de comunicação abertos, inclusive, usar as tecnologias disponíveis, como redes sociais e apps, para que o diálogo e a divulgação das ações seja constante mesmo a distância. 

Outro detalhe fundamental é que todos os aspectos da gestão democrática devem estar inseridos no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, pois esse documento é o principal norteador do planejamento da instituição.

Confira, a seguir, instâncias em que os princípios da gestão democrática podem ser colocados em prática:

  • Reuniões de comissões de alunos;
  • Avaliação Institucional Participativa;
  • Conselhos Participativos;
  • Conselho de Classe;
  • Rodas de conversa;
  • Reuniões de pais
  • Assembleias.

Agora que você já conhece o que é a gestão democrática e quais seus objetivos e características, você já pode aplicá-la na sua escola.

Para saber como a plataforma do SAS pode ajudar sua instituição de ensino na missão de transformar pessoas por meio da Educação de Excelência, clique aqui e fale com nosso time de consultores.

Leia também: