Atualizado em novembro | 2020 por Ademar Celedônio

O  Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, em setembro, os resultados da edição de 2019 do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que apresentou melhora no desempenho para o Ensino Médio. Junto às notas, o anúncio de seu novo formato, já a partir de 2021, que pretende aplicar provas em todas as séries da Educação Básica, a partir do 2º ano do Ensino Fundamental. Também no ano que vem, já será aplicado o novo Saeb para a 1ª série do Ensino Médio, intitulada de “Enem seriado”.  

A proposta pretende reformular o modelo de vestibular tradicional aplicado, atualmente, apenas para os estudantes da 3ª série, passando a incorporar provas do Saeb, que, além de auxiliar o estabelecimento de políticas públicas, também ajudarão os alunos a ingressar no Ensino Superior. E quais serão os benefícios? 

Em primeiro lugar, os estudantes ganharão uma nova alternativa para ingressar nas universidades que adotarem este meio, uma vez que as notas do Enem seriado não serão compatíveis, nem complementares ao Enem tradicional, que continuará existindo paralelamente. Dessa forma, os candidatos terão mais alternativas para ingressar no Ensino Superior. Além das vagas diretas, o coeficiente de aproveitamento de cada aluno também poderá ser utilizado para inscrições em programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni), conferindo um ganho em acessibilidade que o Saeb não oferece atualmente. 

Outro ponto interessante que chega com a prova é a inclusão de questões abertas já em 2021, o que representa um grande progresso em avaliações de larga escala no Brasil, uma vez que esta abordagem é encontrada, atualmente, somente na prova de redação do Enem tradicional. Com a inclusão de questões subjetivas, o aluno terá que demostrar sua forma de pensar, habilidades de escrita, construção do raciocínio e pensamento crítico. Embora as perguntas objetivas tragam uma grande vantagem de velocidade na entrega dos resultados e possíveis padronizações dos relatórios da avaliação, as perguntas abertas levam escolas e professores a desenvolver novas habilidades nos alunos, e não, simplesmente, uma forma de chegar no gabarito das questões fechadas. 

Além disso, o novo formato do Enem também passará a incluir a tecnologia, em um modelo com características híbridas. A avaliação será aplicada pelo Inep, já para a 1ª série do Ensino Médio em 2021, em todas as escolas públicas e privadas brasileiras, por meio de tablets. A partir de 2022 ou 2023, o Inep prevê a aplicação dessas provas já com questões contendo itens adaptativos

Isso significa que o estudante inicia a prova com questões fáceis e, progressivamente, pode ir recebendo questões mais complexas, a depender do seu desempenho. Ao chegar a um nível com maior frequência de erros, o sistema interrompe a prova e informa a proficiência do aluno. Este é um modelo avançado que já é utilizado em processos seletivos de cursos de pós-graduação de universidades norte-americanas. 

Por fim, a forma em que o conteúdo será apresentado, alinhado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e do Novo Ensino Médio, também deve facilitar a preparação do estudante. Ainda que, até o momento, não haja definição das matrizes referenciais da prova, que devem ser divulgadas até fevereiro de 2021, o MEC propõe a aplicação da prova na 1ª série, com o uso da Teoria de Resposta ao Item (TRI), similar ao Enem, apenas em Língua Portuguesa e Matemática. Nos anos seguintes, serão cobradas as quatro Áreas de Conhecimento, e, possivelmente em 2023, os alunos da 3ª série do Ensino Médio devem responder questões diretamente relacionadas aos seus respectivos itinerários formativos, previstos na reforma do Ensino Médio. 

Essas são mudanças previstas pelas autoridades, mas não temos garantia de que todas as universidades aceitarão o novo formato, uma vez que são autônomas, e que o próprio Enem tradicional demorou, pelo menos, 6 anos, para ser aceito na maioria das universidades públicas brasileiras. E ainda assim, algumas só aceitam parcialmente a utilização dessa nota para o ingresso no Ensino Superior.  

O exame, com aplicação nos três anos, reduz a pressão sobre o aluno, que busca ser bem sucedido em apenas um dia, como é o Enem tradicional de hoje, permitindo uma correção de rota nas habilidades em que ele apresentar maior dificuldade durante o Ensino Médio. 

Agora, fica o desafio para o MEC de entender como interpretar os resultados dessa avaliação em duas dimensões, com objetivos distintos: aprovar o ingresso no Ensino Superior e ajudar na tomada constante de decisões de políticas públicas para as escolas brasileiras. 

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