Atualizado em 25 de novembro | 2020 por SAS

Nesse período de pandemia, as escolas se depararam com muitos desafios, tanto nas suas frentes de gestão, quanto de ensino e aprendizagem. As séries mais iniciais, da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, foram desafiadas a se reinventar e a manter o nível de aprendizagem, mesmo diante do ensino remoto emergencial. Para compreender os desafios desse contexto, o SAS Cast convidou a Edilaine Barros, Consultora Pedagógica do SAS, pedagoga e especialista em Gestão Educacional, para conversar com a Anna Paula Barreira, Gerente de Formações do SAS, sobre “Alfabetização em tempos de pandemia”. 

Afinal, alfabetização em tempos de pandemia é possível? 

Segundo as especialistas, o processo de alfabetização envolve interações entre pares, brincadeiras, leituras, registros, dramatizações, conversas, livros didáticos, vínculos de afetividade, entre outros. E, para dar continuidade à alfabetização em tempos de pandemia e no formato a distância, é preciso ter atenção sobre o nível de observação e interação dos professores com os alunos

Anna Paula, em referência à Rosaura Soligo, pontuou que: 

“[…] se considerarmos que a alfabetização acontece durante toda a vida, a resposta é sim. Vivemos um constante aprendizado, então, o aprendizado acontece na pandemia também. Talvez não aconteça no mesmo formato, mas é possível.” 

Além disso, elas ressaltam que é importante o professor ter clareza sobre quais são as reflexões de escrita que a criança precisa exercitar nessa fase, a partir, também, da experiência que já tiveram na escola, para, dessa forma, concluírem qual foco dar nesse momento.  

A família é peça fundamental nesse processo, uma vez que que estamos em uma geração que vive a era da tecnologia, com muito mais habilidades de adaptação. Essa criança já chega na escola com conhecimento “digital”, com habilidades tecnológicas e sabendo como e o que buscar nos recursos. 

A participação da família no processo de alfabetização em tempos de pandemia é mais do que importante, para garantir um bom uso dos recursos digitais e a participação do aluno nas atividades propostas pelo professor.

Falando sobre reflexões de alfabetização em tempos de pandemia, Edilaine trouxe alguns exemplos que independem do formato de alfabetização, como: 

  1. Refletir sobre a relação oral-escrita em situações reais de leitura; 
  1. Desenvolver atenção às características da escrita quando alguém mostra o que está escrito, o que se lê. Isso pode ser feito em casa com os pais, por exemplo; 
  1. Escrever e analisar características do próprio nome, de familiares e de amigos; 
  1. Usar de atividades que possam ser feitas inferências e antecipações; 
  1. Escrever palavras que ainda não tenham sido ensinadas, analisando quantas e quais letras possuem; 
  1. Criar bancos de palavras ou listas de palavras; 
  1. Interpretar a própria escrita, por exemplo: por que sobram ou faltam letras? 

Como o professor pode acompanhar esse processo no ensino remoto? 

Para Anna Paula, é fundamental que aconteça o registro da produção das crianças, que pode ser por escrita, vídeo, áudio, atendimentos individuais, por exemplo. Essas atividades podem ser utilizadas como acompanhamento, e é possível, inclusive, montar um portfólio para cada aluno. 

Plano de retomada na alfabetização: o que considerar? 

Do ponto de vista sanitário, o protocolo de higienização da escola deve ser construído em parceria com uma equipe de especialistas. Além da orientação para a comunidade escolar, é importante dar uma atenção aos profissionais responsáveis pela sanitização na escola. O protocolo de higiene deve ser detalhado e rígido. É importante olhar, também, para a experiência de outros países, sobre o que deu ou não certo. Ou seja, é fundamental a escola ter um plano de ação claro para o caso de um aluno ou profissional contrair o vírus. 

Do ponto de vista pedagógico, é importante considerar as diferenças de aprendizado dos alunos, que têm maiores possibilidades de apoio dos pais, como as escolas conseguem apoiar remotamente seus alunos, as diferenças entre alunos da mesma escola com relação à resiliência, motivação, habilidades na forma de aprender, além de questões emocionais. Trabalhar empatia, autocuidado, motivação nas relações, ou seja, a educação socioemocional, será um grande desafio e uma necessidade nesse período de retomada

Para Anna Paula e Edilaine, quando se fala de aprendizagem e alfabetização em tempos de pandemia, o primeiro passo é realizar uma avaliação diagnóstica para entender como se as lacunas de aprendizado do aluno estão preenchidas, sua bagagem cognitiva, habilidades, identificar possíveis dificuldades de aprendizagem, verificar o que aprendeu ou não (e os porquês), caracterizar o aluno quanto a interesses e necessidades, além de replanejar o trabalho de antes da pandemia. Esse replanejamento precisa acontecer em função da avaliação diagnóstica. 

Como avaliar o aluno no ensino remoto? 

É importante entender o sentido da avaliação e dar a visibilidade para a aprendizagem, de forma processual e não quantitativa. O portfólio é uma excelente estratégia para reunir a produção dos alunos e acompanhar o desenvolvimento deles durante esse ano letivo. O professor pode se questionar a partir disso: onde é possível melhorar o processo de engajamento desse aluno, a partir dessa aprendizagem que ele traz? No fim das contas, o aluno, com certeza, aprendeu sobre algumas coisas que aconteceram nesse período, mesmo que não se trate de um conhecimento formal. Daí a necessidade de o professor entender qual é o método de avaliação necessário. 

Esse momento também é uma oportunidade para revermos como ocorrem os processos avaliativos dentro da escola.  

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