Atualizado em outubro | 2020 por SAS

Educação 4.0 é um tema que tem estado em evidência, principalmente, após a paralisação das atividades presenciais nas escolas de todo o Brasil, por conta da pandemia do coronavírus. Porém, esse conceito, mais do que significar a utilização de ferramentas tecnológicas no dia a dia da escola, demanda uma mudança maior na abordagem do ensino básico. 

Nos últimos meses, as instituições de ensino foram imersas num contexto de educação não presencial e que trouxe muitos desafios. Desafios relacionados às instituições em si, ou sobre o conjunto de professores e coordenadores. De maneira geral, todas essas instituições, que não carregavam o DNA tecnológico em sua trajetória, enfrentaram desafios importantes relacionados à suspensão das aulas presenciais. Esse contexto trouxe ao centro das discussões um novo modelo de aprendizagem que chamamos de Educação 4.0, que promete transformar o conhecimento e acompanhar as necessidades das novas gerações

Esta não é a primeira vez que a tecnologia impõe mudanças ao modus operandi dos setores. Se pensarmos, por exemplo, em instituições bancárias de meados da década de 80, a forma como nos relacionávamos com nossos bancos era completamente diferente do modo que nos relacionamos hoje. Naquela época, a agência à qual estávamos relacionados era portadora de todas as nossas informações bancárias, desde a ficha de assinatura, até os nossos dados pessoais. Quando atravessávamos a rua e entrávamos em uma outra agência do mesmo banco, não éramos reconhecidos. Isso porque a tecnologia, àquela altura, não era suficiente para integrar esses dados. Com o avanço das soluções digitais, passamos a ser portadores de nossos próprios dados e a carregá-los conosco, por meio de cartões magnéticos. Por fim, esse mesmo processo tecnológico nos tornou reconhecíveis em diferentes agências, contas e entre outros estabelecimentos comerciais. Entretanto, esse movimento não extinguiu as agências bancárias, mas mudou a forma como nos relacionamos com elas.  

A evolução tecnológica não é um elemento isolado, ela está relacionada à  Revolução Industrial, que traz em seu contexto, a digitalização dos processos, a revolução da internet e até da análise e coleta de dados.  E a escola, embora em menor proporção, também é impactada por essa evolução tecnológica. Nesse sentido, entendemos que a revolução é latente no progresso e utilização dos sistemas de gestão escolar, por meio da utilização de recursos como celulares e tablets, por exemplo. 

Para falarmos de Educação 4.0, precisamos entender que esta atualização está intimamente relacionada à mudança no modo como nos comportamos, como nos relacionamos e, até mesmo, sobre como pensamos. É na conexão entre esses elementos que consiste a evolução dos contextos da Educação 4.0, sobre como os recursos tecnológicos podem proporcionar interatividade, ludicidade ou interação no processo de ensino-aprendizagem, e não somente nas ferramentas digitais em si.  

Bases da Educação 4.0 

No entendimento de que a educação 4.0 é um processo de ensino continuado, precisamos olhar para os quatro pilares importantes que fundamentam esse contexto:  

  1. O primeiro ponto está relacionando à análise do modelo no qual as escolas estão imersas. Na prática, é avaliar o cenário atual e conceber estratégias para um planejamento de inovação efetivo. Ou seja, entender onde se quer chegar e de que maneira isso pode ser feito.  
  1. O segundo ponto, e talvez o mais desafiador, está pautado na busca por referenciais teóricos que proporcionem a mudança do senso comum. A educação científica é um desafio que envolve ações sistêmicas, planejadas e bem estruturadas. Toda a organização escolar deve conhecer e estar envolvida, desde a concepção das ações à sua execução.  
  1. Entendendo que o conhecimento não está pautado no conteúdo, mas no desenvolvimento das habilidades, olhamos para o terceiro ponto que se relaciona com a gestão do conhecimento. A reorganização estrutural de pontos, como o Projeto Político Pedagógico, ou o fortalecimento de uma cultura voltada para a inovação digital e tecnológica, são algumas das ações que podem ser aplicadas aqui. 
  1. O quarto ponto, por fim, é pensar nos espaços de aprendizagem que favoreçam protagonismo do aluno ou desenvolvimento de projetos interdisciplinares. 

Dessa forma, pode-se entender que a Educação 4.0 é um modelo de educação que reúne ações voltadas para a implantação de cibercultura e que tem como objetivo desenvolver novas habilidades nos alunos, tendo como ponto de partida as práticas que considerem os seus interesses e suas trilhas de aprendizado, a partir conceito “Learning by Doing”, o aprender fazendo.

Educação 4.0 e a conexão com as Metodologias Ativas 

O modelo de aulas mais amplamente praticado trata de aulas expositivas, da realização de trabalhos e avaliações, e de ações diferenciadas dentro deste mesmo núcleo, que ainda consideram o professor como detentor ou mediador do conhecimento. Nesse sentido, entendemos que nossos alunos ocupam uma posição passiva na construção e, até mesmo, das escolhas sobre suas aprendizagens.  

As metodologias ativas, em um movimento inverso ao habitual, colocam o aluno como personagem principal e central e, por consequência, como grande responsável (protagonista) pelo seu aprendizado. Dessa forma, o grande objetivo desse modelo de aprendizagem é o incentivo à comunidade acadêmica para o desenvolvimento de ações que proporcionem e promovam a amplitude da capacidade de aprendizagem autônoma aos alunos.  

De forma mais prática e próxima do contexto de sala de aula, tratamos da promoção de práticas que descontruam o modelo expositivo frente à proposta inovação, participação e autonomia aos alunos. As estratégias propostas devem estar pautadas e centradas na participação efetiva dos aprendizes, baseada em projetos interligados e com ênfase na cultura do aprender fazendo.  

O entendimento das metodologias ativas como um conceito multidisciplinar e integrador proporciona o desenvolvimento criativo dos estudantes e os impulsiona a resolver situações-problema dispostas a partir de seus interesses de aprendizagem. 

E como fica a BNCC nesse contexto? 

A implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no final de 2018, nos trouxe diretrizes importantes para o desenvolvimento do protagonismo do aluno. Isso porque em sua concepção, o grande elemento orientador presente nesse documento trata, especialmente, do desenvolvimento de habilidades, pautadas a partir de competências específicas para áreas de conhecimento.  

Há desafios bastante importantes quando falamos sobre a Educação 4.0, e podemos falar, desde a infraestrutura, que ainda é precária, até o acesso à internet ou a equipamentos como computadores, tablets e smartphones. 

Ainda no universo dos desafios, podemos pensar a respeito da formação do corpo docente, em razão da implantação de tecnologias em aulas mais práticas e que captem a atenção de alunos e, por consequência, obtendo maior participação. Ou acerca da própria gestão escolar, quando entendemos a automação da gestão de dados como elemento importante para o desenvolvimento da escola enquanto instituição. 

O entendimento de que esse modelo de educação é não apenas uma novidade ou modismo, mas uma realidade latente em nosso cotidiano, nos impulsiona a pensar sobre as mudanças que devem ser internalizadas, projetadas e, em certo tempo, realizadas.  

O SAS Plataforma de Educação pode ajudar a sua escola nesta jornada rumo à Educação 4.0. Clique aqui e saiba mais sobre as iniciativas de tecnologia educacional do SAS, e como, juntos, podemos ser protagonistas da evolução da forma de ensinar e aprender. 

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*Este artigo é de autoria de Juliana Saraiva – Especialista Educacional no SAS Plataforma de Educação