Atualizado em 12 de novembro | 2020 por SAS

Você já deve ter se perguntado quais motivos te levaram a fazer certas coisas, desde as mais usuais, até aquelas que nem nós entendemos porque fizemos, certo? A teoria de Maslow surgiu justamente com o objetivo de explicar alguns comportamentos humanos.

Esses  comportamentos podem ser, por exemplo, assumir um desafio que parece estar acima da sua capacidade física ou mental, se propondo a estudar muito mais para uma prova de um conteúdo que você tem dificuldade, ou adquirir um bem que não cabe no orçamento. 

Pensando nisso, Maslow, um dos principais teóricos da Psicologia Humanista, teve como sua maior contribuição a Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas, ou Pirâmide de Maslow

Essa teoria está centrada na motivação humana e demonstra que apenas quando determinadas necessidades são supridas, é possível passar para o próximo nível da pirâmide. 

Sendo assim, a utilização desse conceito pode ser  aplicada em diferentes contextos, tornando seu entendimento muito importante para que profissionais, dentre eles os professores, possam potencializar suas ações.

Para você, professor, saber mais sobre como utilizar a teoria de Maslow, a fim de otimizar suas ações em sala de aula, continue com a leitura deste artigo.

E então, o que é a teoria de Maslow?

Representada por uma pirâmide de cinco níveis, a Teoria da Hierarquia das Necessidades, ou Teoria de Maslow, demonstra que todo indivíduo possui carências relacionadas à sua sobrevivência, preservação, convivência, afeição e conquistas.

Seus níveis são:

  • Necessidades fisiológicas;
  • Segurança;
  • Amor e relacionamento;
  • Estima;
  • Realização pessoal.

Após o primeiro nível ter sido atingido, o de necessidades fisiológicas, a motivação torna-se a do próximo nível, a de segurança!  

Quando o indivíduo percebe que está livre de qualquer ameaça de perigo ou ataque, encontrando-se, portanto, em segurança contra danos físicos e emocionais, seus impulsos se voltam para as relações interpessoais. Depois de se sentir parte de um grupo, ele começa a buscar a sua estima e, por fim, sua autorrealização, até que todas as etapas da pirâmide sejam contempladas.

Acontece, porém, que se uma das necessidades deixa de ser realizada , todo o esforço e atenção retornam ao nível anterior. Mas, será que é possível relacionar cada nível motivacional com o ambiente escolar, ou seja, com o desenvolvimento do aluno edo professor?

A reação dos alunos em sala de aula está pautada nos conceitos que a Teoria de Maslow demonstrou. A influência que o aluno sofre pelo ambiente em que está inserido demonstra que é preciso estar atento e conhecer individualmente cada um. 

Alguns dos sinais de que o professor deve estar atento são, por exemplo:

  • A falta de interesse do aluno em determinados aspectos;
  • Desatenção em pontos específicos;
  • Dificuldades de relacionamento interpessoal.

Os sinais acima podem ser indicadores de necessidades não satisfeitas nos primeiros níveis da Pirâmide de Maslow. Ao observar esses comportamentos, o educador deve abrir espaço para ouvir seus alunos e buscar o real entendimento destas questões.

Alguns dos benefícios da teoria de Maslow 

A compreensão da Teoria de Maslow abre um leque de possibilidades para o entendimento e a elaboração de atividades, que tem como objetivo atender  às necessidades dos estudantes, familiares e profissionais da escola.

Construir abordagens que contemplem pequenas metas a serem atingidas, alinhadas às necessidades elencadas pela Teoria de Maslow, como, por exemplo, a elevação da autoestima, pode tornar o aluno capaz de apreender e reproduzir seu conhecimento no dia a dia, possibilitando-o a atingir um nível de desenvolvimento acima do esperado.

Outra vantagem observada ao entender melhor como a Teoria de Maslow funciona é proporcionar ao professor o papel de resgatar o interesse dos alunos, por meio do olhar a essas necessidades, transformando a sala de aula em um local que seja capaz de entregar experiências transformadoras.

Hierarquias de necessidades da teoria de Maslow

Vamos nos aprofundar um pouco mais em cada nível das necessidades da teoria de Maslow:

Necessidades fisiológicas 

A primeira etapa é a mais básica e diz respeito, basicamente, à sobrevivência, como respiração, alimentação, descanso, etc. Se não satisfeitas, o indivíduo não conseguirá focar em  outras demandas de sua vida. 

Mesmo que os alunos tenham situações de vida diferenciadas, estas necessidades são essenciais para que eles possam ter o mínimo de condições de  ir à escola e aprender novos conteúdos

Um aluno que não tem como se alimentar corretamente foca sua energia em satisfazer esta necessidade. Porém, quando bem alimentado, a fome deixa de ser uma motivação importante e um impeditivo para o próximo nível.

Necessidades de segurança

O nível dois está relacionado à busca de proteção e garantia de vida. Sentir-se protegido diante de perigos reais ou imaginários gera estabilidade em seus relacionamentos e dá ao aluno a condição de realizar atividades que envolvam a confiança na escola, nos professores e nos colegas de classe. 

Quando a criança se sente protegida e acolhida em um lar harmonioso e quando ela não sofre agressões físicas ou verbais, por exemplo, é quando essa necessidade é suprida, e ela consegue ser estimulada a se desenvolver sem  medo. Quanto mais o professor conhecer seus alunos, melhor poderá identificar se há algum impasse nesse nível.

Necessidades de amor e relacionamento

Para alcançar o nível três, será necessário satisfazer os dois primeiros níveis. Nesse ponto, o indivíduo espera ser aceito e ter uma relação saudável de afeto, companheirismo e amizade com os grupos sociais com os quais convive. Aqui, as relações humanas são o fio condutor. 

Ser acolhido e sentir-se parte da turma é condição essencial para ter esta necessidade realizada, por exemplo. Dessa forma, trabalhar em atividades que provoquem a aproximação dos alunos de maneira colaborativa pode contribuir neste aspecto. Quando o ambiente escolar apoia relações de respeito e empatia, fica mais fácil atingir este nível dentro do ambiente escolar.

Necessidade de estima

O quarto nível significa confiar em si mesmo e saber que tem a aprovação daqueles que lhe são importantes. Esse nível é bastante abstrato, pois envolve um desejo particular de sentir-se útil, competente e prestativo no ambiente do qual faz parte. 

Sendo assim, proporcionar o reconhecimento do esforço feito pelo aluno nas pequenas conquistas demonstra credibilidade e contribui para a satisfação desse nível

No entanto, quando o estudante  se sente frustrado, podem haver sentimentos de inferioridade, ocasionando desinteresse e falta de disciplina em sala de aula.

Podemos perceber a importância e a correlação da Teoria de Maslow na rotina dos alunos e em seus comportamentos em sala de aula. A escola e os professores não têm condições de suprir todas as necessidades do aluno, seja na formação educacional, cultural, ou social, mas ao compreender seus papéis e responsabilidades, podem contribuir de forma exponencial para a evolução do indivíduo.

O último nível da teoria de Maslow só é possível ser atendido quando o indivíduo aprende a identificar seu potencial (fortalezas e fraquezas). Ao encontrar sua realização pessoal, uma onda de prazer é percebida, gerando mais energia para evoluir e se desenvolver de maneira contínua. 

É um nível muito singular e, para cada indivíduo, pode ser representado por aspectos diferentes, seja a conquista de sonhos, conhecimento, determinada habilidade, fatores financeiros, entre outros.

Esta necessidade, provavelmente, só conseguirá ser atingida na fase adulta, através do trabalho e de outras atividades. O papel da escola poder ser o de começar a ativar esse aspecto, propondo desafios e uma reflexão sobre a relação e o espaço do outro.

Saiba como implementar essa teoria no dia a dia

A teoria de Maslow é uma prática que pode ser usada para o desenvolvimento do aluno e, também, do professor.

Como podemos colocar a Teoria de Maslow em prática dentro das escolas? 

Há várias formas de contribuir para que as necessidades dos alunos sejam atendidas no ambiente escolar. Veja algumas dicas abaixo:

Necessidades de realização pessoal

  • Despertar o desejo dos alunos em irem além das suas capacidades, fornecendo estímulos e desafios. Isso pode ser feito a partir de exposição de filmes, por exemplo;
  • Identificar os sonhos e objetivos individuais por meio de atividades individuais e coletivas, como dinâmicas em grupo;
  •  Oportunizar a participação em atividades extracurriculares, como feira de ciências, permitindo que o aluno expanda suas competências.

 Necessidades de estima

  • Promover atividades que demandem a interação e sensação de pertencimento;
  • Trabalhar os elementos socioemocionais, mostrando empatia, relacionamento e estimulando o trabalho em equipe;
  • Realizar ações de reconhecimento individual e coletivo, adaptando os critérios para cada situação;
  • Reconhecer genuinamente o desenvolvimento individual em diferentes aspectos seja ele físico, social ou cognitivo.

 Necessidades sociais:

  • Ampliar o uso das tecnologias alinhando o conhecimento aos conteúdos trabalhados;
  • Realizar atividades colaborativas, nas quais  diferentes grupos tenham a oportunidade de interagir e cocriar juntos novos resultados.

Necessidades de segurança:

  • Criar ambientes seguros para o aprendizado, como bibliotecas, laboratórios e ginásio de esportes;
  • Adaptar as instalações para torná-las mais inclusivas e acolher estudantes e outros profissionais com necessidades especiais.

Necessidades fisiológicas:

  •  Ter contato regular com os pais e responsáveis pelo aluno, para compreender o ambiente no qual está inserido;
  •  Oferecer uma merenda saudável, ainda que terceirizada.

Conclusão

A Teoria de Maslow nos permite identificar e estabelecer uma clara relação entre a satisfação das necessidades, o nível de motivação e o desenvolvimento contínuo do aluno no contexto escolar. 

A carência e a forma de manifestar a ausência em qualquer um dos níveis podem variar por indivíduo, mas, ainda assim, possuem forte impacto no processo de aprendizagem

Se um nível não for satisfeito, não há recursos para seguir adiante e nem sempre será possível chegar ao topo da pirâmide, já que a necessidade mais importante concentra as energias do indivíduo para o ponto não satisfeito.

O ambiente escolar e seus atores, entre eles alunos, professores, pais, gestores escolares e sociedade, fazem parte de um conglomerado que está interligado diretamente na formação do indivíduo.

Se um aluno não consegue aprender, cabe ao professor buscar entender as possíveis causas. Se for por falta de alimentação correta, cansaço, insegurança ou ainda pela dificuldade em se relacionar com os colegas, por exemplo, toda a rede deve ser acionada para buscar as melhores soluções, que podem  ser discutidas durante a  reunião pedagógica.

Não se trata de uma tarefa fácil, mas quando há um verdadeiro e genuíno interesse do educador  em compreender e contribuir para que o aluno atinja o seu melhor resultado, é possível gerar o desenvolvimento contínuo deste indivíduo e participar efetivamente para a construção de uma sociedade e de um mundo melhor!

Para entender como o SAS pode ajudar sua escola, clique aqui e conheça nossas soluções. A fim de complementar seu conhecimento, que tal ler um artigo rápido e prático sobre o ensino híbrido e como aplicá-lo na prática!

Leia também: