Habilidades socioemocionais na escola do pós-pandemia

junho | 2020

Entre tantos fatores, a pandemia do coronavírus no Brasil e no mundo tem levantado discussões em torno do papel da escola como um ambiente para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais em crianças e adolescentes, se aproximando da realidade do aluno e proporcionando uma formação integral. 

Não é de hoje que as discussões sobre o desenvolvimento de habilidades socioemocionais estão vivas na realidade da escola. O movimento, que já vem de um olhar atento desde os últimos 5 anos, ganhou força em 2020, principalmente, com a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em todo o país. Este documento, além de elencar 10 competências gerais para crianças e jovens estudantes, aborda com profundidade a necessidade de olharmos para os alunos de forma integral. Agora, mais do que nunca, aprendemos com a pandemia como é importante promover o acolhimento emocional dos nossos alunos e valorizarmos tais habilidades. 

Os programas socioemocionais, entre diversas ações, buscam: 

No entanto, de março para cá, com os desafios que diversas instituições de ensino vêm enfrentando, desde sua organização estrutural e mínima para dar continuidade às aulas, até aqueles relacionados ao acolhimento da comunidade escolar, passamos a olhar o desenvolvimento socioemocional com foco na saúde mental. E isso é natural, afinal, a mudança brusca da forma como concebemos o espaço escolar gerou impactos emocionais que não podem ser negligenciados e que foram motivados, em especial, por alguns fatores: distanciamento, ruptura das relações humanas, incertezas e mudança no processo de ensino-aprendizagem. 

Antes de mais nada, é importante considerar que a abordagem das habilidades socioemocionais no campo da escola deve promover a construção de valores de forma consistente, considerando que a inteligência emocional passa a ser desenvolvida quando o aluno se torna mais consciente de suas potencialidades e fragilidades. A partir disso, aqui vão algumas sugestões para desenvolver tais práticas em um contexto pós-pandemia, com cada segmento: 

Educação Infantil 

Uma das maiores preocupações com o público infantil é o impacto no desenvolvimento humano e social. As habilidades socioemocionais estão vivas neste segmento e a interação entre pares é fundamental para conhecer a si mesmo e ao outro. Além disso, é um espaço para construção de afetividade e criação de vínculos. Portanto, é muito importante que professores possam promover atividades de integração da turma, que retomem o quão prazeroso é quando estão juntos, e que também conscientizem de que mudanças na forma como nos relacionamos não diminui o cuidado o outro. Se, hoje, a professora não pode abraçar, por exemplo, como podemos promover um abraço virtual? Reúna seus alunos e incentive-os a escrever um cartão para enviar aos colegas como forma de demonstração de carinho e criação de vínculos. 

Ensino Fundamental 

Neste segmento, o desafio está na construção de laços e promoção da autonomia do aluno. Os alunos do Ensino Fundamental, geralmente, estão se descobrindo e criando grupos de afinidades com colegas, além de desenvolver valores mais consistentes que requerem responsabilidade. Por isso, é importante que a escola promova ações de união e espírito de time, para que eles reconheçam como os laços consistentes são fundamentais para que sejam cada vez melhores consigo e com o próximo. Procure promover atividades de reconhecimento dos pares e valorização das boas práticas disseminadas na turma. 

Ensino Médio 

Diferente dos outros dois segmentos, no Ensino Médio, o aluno passa a se questionar sobre seu propósito de vida e caminhos futuros, para além do cenário escolar. Especificamente na 3ª série, esse sentimento fica latente com a pressão frente ao vestibular e processos seletivos. Dessa forma, as atividades com foco em habilidades socioemocionais devem estar voltadas ao projeto de vida deste estudante, considerando habilidades necessárias para que ele projete o futuro e saiba fazer o autogerenciamento das incertezas. Vale considerar que, por viverem uma trajetória escolar marcada pelo ensino presencial, acabam sentindo dificuldades de se organizar com a quantidade de tarefas e atividades on-line, por mais que sejam nativos digitais e familiarizados com ferramentas tecnológicas. Portanto, promova atividades que deem voz a estes estudantes e relevância aos seus anseios, desenvolvendo ações de autoconhecimento, tomadas de decisões e inserção social, com olhar para objetivos pessoais e profissionais. 

O mais importante é considerar que fortalecer o desenvolvimento de habilidades socioemocionais se torna essencial para preparar jovens estudantes para um futuro que ainda não conhecemos, mas que certamente vai requerer que eles saibam se conhecer para poder agir e gerar impacto na sociedade 

Vale ressaltar que as vivências de cada um também são elementos fundamentais para a promover o acolhimento emocional e envolver as famílias, incentivando-as a participar da construção de repertório dos seus filhos, o que é fundamental. A aproximação escola e família é um caminho muito promissor para educar e construir uma jornada de (auto)conhecimento muito enriquecedora. 

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*Este artigo é de autoria de Giovana Alfredo – Especialista Educacional no SAS Plataforma de Educação 

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