Atualizado em 16 de dezembro | 2020 por SAS

A inclusão de alunos com necessidades especiais é um tema que vem ganhando cada vez mais espaço e destaque no meio educacional e, com isso, muitas dúvidas surgem em torno dessa temática.  

Para colaborar com as discussões sobre o papel inclusivo das escolas, o SAS Cast recebeu a Anna Paula Barreira, Gerente de Formações do SAS, que mediou um bate-papo entre Eliana Bózio, Vice-diretora e Coordenadora de Inclusão da Escola Monteiro Lobato, em São José dos Campos, e Ana Paula Rosa, Consultora Pedagógica do SAS.  

Confira alguns destaques da conversa entres as especialistas: 

O que é inclusão e por que é tão importante falar sobre isso? 

Eliana Bózio explica que a inclusão na escola Monteiro Lobato está ligada ao acolhimento. Para a Coordenadora de Inclusão, é importante falar sobre esse tema para que as pessoas se preparem para receber crianças com necessidades especiais, quebrando o medo e o tabu que existe sobre a questão. Portanto, quanto mais a escola debater a inclusão e tomar iniciativas que facilitem o processo, mais ela vai ser encarada com naturalidade por todos os agentes educacionais.  

Segundo as especialistas, é fundamental que o aluno especial seja acolhido e integrado, de acordo com um plano de ação que o ajude a se desenvolver plenamente, dentro das suas possibilidades. Além disso, ressaltam que a preparação do docente para acolher crianças com necessidades especiais é imprescindível para proporcionar a inclusão de alunos na escola, de maneira eficaz. 

O que torna uma escola referência na inclusão de alunos 

Atualmente, ainda falamos pouco sobre inclusão de alunos com necessidades especiais na escola, pois ainda há receio em abordar o assunto. Por isso, é importante os gestores e mantenedores escolares buscarem entender a escola pode se tornar, verdadeiramente, inclusiva. De acordo com as convidadas, só a empatia pode transformar uma comunidade, seja ela a escola ou a sociedade em geral. É preciso aprender a se colocar no lugar do outro, tanto dos alunos especiais, como das famílias. Eliana Bózio destaca a importância de a escola pensar o aluno como parte da turma, reconhecer suas qualidades, habilidades e competências, e não as suas impossibilidades e dificuldades. Elas existem, mas é necessário focar no lado bom e valorizar cada conquista.  

Ana Paula Rosa reforça, também, a necessidade de a escola olhar para todos, oferecendo oportunidades iguais, mesmo que com estratégias diferentes, porque cada um vai ter um modo de aprender. O olhar para esse modo permite que o aluno desenvolva seu potencial dentro das suas oportunidades. A especialista explica, ainda, que tornar a escola inclusiva perpassa por transformar a cultura escolar e, infelizmente, nem todos podem estar preparados para isso, especialmente, porque há falta de preparo da comunidade escolar quando o assunto é inclusão de alunos.  

Nesse sentido, Anna Paula Barreira complementa: 

“No dia que todas as pessoas enxergarem as diferenças como parte do processo e da educação, a gente vai quebrar essas barreiras de que a inclusão é um tabu, do receio de falar sobre isso.”  

Para que a escola realize ações voltadas à inclusão de alunos, é necessário que a família apresente um laudo médico atestando a necessidade especial da criança? 

As convidadas explicam que não há essa obrigatoriedade. Pela lei, não é necessário que os pais apresentem o laudo médico. Entretanto, o laudo é muito importante, porque traz um direcionamento aos especialistas para um trabalho mais específico, de acordo com as necessidades que a criança apresenta.  

A Coordenadora de Inclusão Eliana Bózio reforça que é muito importante os pais se comunicarem claramente com a escola na visita ou no momento de matrícula, informando que o filho possui necessidades especiais. Essa comunicação clara e direta é fundamental para que a escola se prepare para receber o aluno da melhor forma possível. As famílias precisam entender que, quando omitem uma informação importante como essa, quem perde é a criança, pois demora mais tempo para a escola perceber e atuar de maneira assertiva e inclusiva.  

Elas também destacam que é essencial não perder tempo, para que a escola já possa ir trabalhando com a criança de uma forma diferenciada, independentemente de laudo ou não.  

A que atribui o sucesso e quais os desafios do projeto de inclusão na Escola Monteiro Lobato? 

Eliana Bózio explica que a escola Monteiro Lobato utiliza o Método Montessori, que por si só já é baseado na inclusão de alunos, pois trabalha e respeita sua individualidade, olhando cada um segundo seu tempo, limitações e potencialidades. Com a publicação da Lei da Inclusão em 2015, a escola passou a ter a inclusão de alunos como responsabilidade institucional. Para a Coordenadora de Inclusão, a partir do momento em que a escola tomou para si a responsabilidade, o comprometimento e a vontade de fazer a diferença na vida dessas crianças e de suas famílias, ela se tornou verdadeiramente inclusiva. Com isso, houve a necessidade de ter um profissional específico para isso, que tivesse conhecimento sobre inclusão de alunos, que gostasse e tivesse experiência para poder trabalhar e orientar os professores e acompanhantes, pensar nas atividades e auxiliar nas adaptações curriculares. Ter esse profissional foi um grande passo para a escola, uma vez que os colaboradores passaram a se sentir apoiados, valorizados e motivados a dar o seu melhor, querendo aprender mais a ensinar de diferentes formas.  

Com isso, os próprios especialistas, como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos, passaram a indicar a Monteiro Lobato pelo trabalho que desenvolve e que faz a diferença na inclusão de alunos. Eliana aponta como desafio a dificuldade em explicar aos pais que a criança precisa estar inserida dentro de um convívio social e que isso vai ser importante para a vida dela. Logo, é importante ouvir as diretrizes dos especialistas, analisar e implantar dentro das possibilidades, entendendo que as crianças com necessidades especiais também precisam se adaptar às regras da escola, a essa micro sociedade. 

Quais as dificuldades de pensar a inclusão de alunos no ambiente digital, neste período de pandemia? 

Eliana explica que a Escola Monteiro Lobato já fazia atendimento no contra turno para crianças com necessidades especiais, por meio de atividades em computadores e tablets, fazendo trabalho com jogos. Dessa forma, optaram por darem continuidade a esses momentos, além das aulas on-line, nas quais os alunos de inclusão participam junto com suas turmas. Ela destaca, ainda, a importância de os professores incentivarem esses alunos a participarem das conversas. Além disso, os professores gravam videoaulas para que esses alunos assistam em casa, quantas vezes quiserem e na hora que tiverem interesse, respeitando seu próprio ritmo. Essa foi uma estratégia importante, por entenderem que essas crianças têm o seu momento e tempo de atenção diferenciados.  

Outra ação fundamental, nesse período, tem sido os atendimentos individuais direcionados para cada aluno. Esses atendimentos ocorrem uma ou duas vezes na semana, em horários fixos de 30 minutos, totalmente direcionados para a criança. Esses momentos são essenciais para ajudar que os alunos não percam o vínculo com a escola, o que vai fazer grande diferença no momento do retorno. As especialistas explicam que esse vínculo vai ser fundamental para garantir e dar continuidade ao aprendizado dessas crianças no retorno presencial. 

Como se preparar para o retorno das aulas presenciais focado na inclusão de alunos? 

Para as convidadas, as ações para a inclusão de alunos que não podem sair de pauta são: 

  • Ter um protocolo de segurança com destaque para as crianças com necessidades especiais, pois o resgate do vínculo presencial com eles irá ter particularidades. Um exemplo são as crianças que gostam de dar abraços nos amigos, professores, profissionais da escola. Essas particularidades precisam ser pensadas, com direcionamentos para lidar com elas;
  • Continuar com o atendimento individual, horários diferenciados de aula, reforço e outros projetos para que essas crianças estejam mais incluídas no ambiente escolar. Esse atendimento diferenciado é importante para resgatá-las, pois estiveram muito tempo distante do ambiente e dos colegas;
  • Comunicação com todos os pais e familiares, especialmente sobre os protocolos de segurança, é um diferencial para a inclusão de alunos. Eliana cita o Projeto de Lei na cidade de São José dos Campos, que dispensa o uso da máscara para o aluno com transtorno do espectro autista, deficiência intelectual e sensorial. É importante comunicar essa questão, deixar o projeto de lei visível e disponível para os demais pais saberem que ele existe; 
  • Desenvolver ações pensadas para receber as crianças, trazendo as questões específicas de cada particularidade. Essas ações devem ser facilitadoras, visando diminuir o impacto para a retomada desse aluno com perfil e comportamento diferente.  

Por fim, as especialistas ressaltam, mais uma vez, que o acolhimento socioemocional é essencial para tornar a inclusão de alunos com necessidades especiais possível na escola, que deve entender as diferenças como desafio a ser vencido diariamente e não como problema. 

Como o SAS pode ajudar?

O SAS é uma plataforma de educação, que oferece soluções completas para sua escola. Com o auxílio de consultores pedagógicos especializados e focados na necessidade de cada realidade escolar, as instituições conseguem atuar de forma cada vez mais inclusiva, garantindo uma Educação de Excelência a todos. Quer conhecer mais sobre as nossas soluções?

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