Atualizado em setembro | 2020 por Vinícius Beltrão

O isolamento social trouxe desafios sem precedentes em todas as frentes, com milhões de pessoas ao redor do mundo tendo que se adaptar rapidamente a este novo cenário. E aí, vem mais um: como manter bem-estar físico e mental, dentro dos lares?

Estamos todos dentro de casa. A maioria, pelo menos. Nossas rotinas foram alteradas, nossas atividades não são mais as mesmas. Pais e mães vivenciam novas possibilidades de trabalho, e os filhos, outras formas de seguirem os estudos. Dentre várias questões, a família passou a conviver mais, ouvir mais, falar mais e interagir constantemente. A escola também buscou alternativas para, mesmo distante, continuar a sua missão de levar ensino de qualidade aos alunos.  

Base Nacional Comum Curricular (BNCC), neste cenário, mostra-se ainda mais relevante e atual. Um olhar para as competências gerais evidencia como a empatia e a cooperação têm sido praticadas pelos artistas por meio de lives, para conseguir verba e ajudar as entidades de saúde e carentes. Além disso, também notamos um esforço das grandes empresas de tecnologia e de educação, como o SAS, abrindo seus serviços para o grande público para que todos tivessem acesso à informação, potencializando a cultura digital e promovendo o autoconhecimento e autocuidado entre os estudantes e suas famílias.  

Das quatro áreas do conhecimento, uma merece nosso destaque: linguagens. Dividida entre língua materna e inglesa, arte e educação física, a área concentra uma gama de soluções para enfrentar as adversidades de nosso tempo. Dentre as competências gerais desta área, destacamos a exploração e uso de práticas de linguagens variadas (artísticas, corporais e linguísticas), bem como a compreensão de tecnologias digitais da informação com vistas a potencializar a comunicação e as práticas sociais2

Em especial, gostaríamos de trazer luz à importância do componente educação física como alternativa para o bem-estar físico e mental dos membros da família. Como temos lidado com esse cuidado? É um momento propício para conhecer as contribuições da BNCC com este componente e viabilizar sua aplicação prática.  

Retomando as competências gerais da base, cabe destacar a oitava, que prevê:

 “Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.”3 

A educação física torna-se uma emergência para o nosso bem-estar físico e mental, principalmente, quando dados do Ministério da Saúde demonstram que quase 12% das crianças de 5 a 9 anos estão em obesidade. As estatísticas indicam, ainda, que 75% delas permanecerão obesas na vida adulta.  

Esses dados mostram o quão longe podemos estar da Agenda de 2030 para o desenvolvimento sustentável, proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU). Uma das metas propostas, a terceira, discorre sobre o bem-estar com o objetivo de “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades”. Dessa forma, como podemos garantir o desenvolvimento dessa meta em meio à pandemia? Como fica a saúde das crianças e jovens numa sociedade em que “comer é uma tentação” e a rota de fuga para diminuir a ansiedade de muita gente? 

A alternativa para driblar o sedentarismo é o comprometimento da família para com as práticas esportivas designadas nas unidades temáticas de educação física: brincadeiras, jogos, esportes, danças, lutas, práticas corporais de aventura e a ginásticas. O professor, desempenhando o seu papel, busca promover as práticas adaptando o ambiente e recursos disponíveis nas residências dos estudantes. O objetivo é desenvolver principalmente a oitava competência do componente: 

“Usufruir das práticas corporais de forma autônoma para potencializar o envolvimento em contextos de lazer, ampliar as redes de sociabilidade e a promoção da saúde.”4 

É de suma importância o envolvimento de toda a família, como já estabelece a LDB, artigo 2°, que a educação é dever de todos. Em momentos como esse, no qual academias e parques estão fechados, e as cidades estão isoladas em quarentena, a saúde da população corre sérios riscos. Propiciar sessões de movimento, tanto para os alunos como para os pais, é potencializar o lazer, a diversão e um aprendizado para a vida, não apenas para cumprir os conteúdos propostos do ano letivo.  

Algumas sugestões são as práticas de meditação, brincadeiras, exercícios usando o peso do corpo, alongamento, lives de dança (já ouviu falar de fitdance?), jogos eletrônicos que promovem o movimento do corpo e uma gama de aplicativos que adaptam treinos e exercícios de acordo com suas características, necessidades e condições.  

O importante é manter-se saudável com o corpo e a mente, sempre consultando os professores da área e acompanhando as atividades propostas pela escola. É o momento ideal para conhecer e valorizar as inovações trazidas pela BNCC.

A área de linguagens está cheia de oportunidades e orientações para que possamos superar este momento, fortalecendo nosso conhecimento, corpo e vínculos sociais. 

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*Este artigo contou com a colaboração de Alexandre Rocha Augusto, graduado em Educação Física e Letras,  pós-graduando em Educação Física Escolar, Formação e Gestão em Educação a Distância.

Referências:

[1]: “Uma mente sã num corpo são”, citado pelo poeta romano Juvenal na sátira X como resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida. 

[2]: BNCC – competências de linguagens para o ensino fundamental, pg. 63.

[3]: BNCC – competências gerais para a educação básica, pg. 10. 

[4]: BNCC – competências específicas de educação física, pg. 221.