Atualizado em 6 de maio | 2021 por SAS

É quebrando alguns paradigmas do passado, e buscando atitudes e posturas mais empáticas e de maior respeito, que a disciplina positiva vem se firmando. É saindo de uma educação com aspectos ultrapassados e partindo para o diálogo, que os parâmetros, conceitos e valores vão se modificando.

Crianças que crescem dentro da disciplina positiva tendem a ser mais autônomas, confiantes e com uma autoestima saudável. Nos acompanhe neste artigo para saber tudo a respeito da disciplina positiva e como aplicar em sua escola.

Há muitas incertezas em torno  da disciplina positiva. Conhecer o que ela é e o que não é o nosso primeiro passo!

Para começar: o que não é disciplina positiva?

A disciplina positiva educa por intermédio de técnicas que transmitem gentileza e firmeza, simultaneamente. Mesmo tendo início na década de 1930, ainda há muitos mitos e pré-julgamentos em torno desta abordagem, que prejudicam sua implementação, levando educadores e pais a formarem conceitos que não remetem à realidade. São eles:

  • Mimar: longe de ser um aspecto da disciplina positiva, mimar é sinônimo de despreparar a criança para lidar com a vida adulta e com as frustrações que ocorrem no decorrer da caminhada. Mimar não está relacionado a esta abordagem, pois a educação com empatia e afeto é sinônimo de munir emocionalmente crianças e adolescentes para lidarem com seus próprios sentimentos, desde sempre.
  • Autoritarismo: tendo como princípio o diálogo, a disciplina positiva está distante do autoritarismo, pois são antônimos. Enquanto uma preza por valores baseados em afeto, senso coletivo, delegação de responsabilidades, trocas de ideias e escuta, o autoritarismo prega a imposição sem brecha para questionamentos ou  fortalecimento da afetividade.
  • Permissividade: característica de quem tudo tolera e permite. Certamente, esse termo não é adequado para definir disciplina positiva. Empregar uma educação permissiva é criar espaço para que as crianças não aprendam com os erros, o que prejudica o desenvolvimento cognitivo saudável. 

Então, o que é a disciplina positiva?

Foi a partir da década de 1990 que a psicologia defendeu com maior força a utilização da disciplina positiva na educação, como uma abordagem benéfica para crianças e, também, adolescentes.

A disciplina positiva busca exaltar as qualidades e pontos positivos nos indivíduos, dando maior voz para os acertos do que aos erros. Na prática, é fazer uma reflexão, buscando estabelecer laços de confiança e respeito, com afeto e limite, entre as relações de docentes e alunos ou entre eles mesmos, no contexto de sala de aula.

Buscar um ponto de equilíbrio entre ser mais permissivo ou mais rígido é um desafio constante, e aqueles que estão em postos de educação, sejam eles os pais ou a escola, enfrentam inúmeras dificuldades para encontrar um caminho mais seguro. 

É justamente nesta busca que a disciplina positiva se enquadra, como uma alternativa da educação que trabalha dentro de uma perspectiva mais humana e com uma gama de valores que se enquadram bem na sociedade atual e do futuro.

Entre os principais pesquisadores que abordaram e defenderam a disciplina positiva, podemos citar os vienenses Rudolf Dreikurs (1897-1972) e Alfred Adler (1870-1937), ambos psicólogos renomados na área humanista, que apontam para a educação afetiva e suas conexões como grande responsável pelo comportamento humano. 

A partir disso, foi identificado que corrigir crianças e adolescentes através de uma educação mais afetiva gera resultados mais positivos, do que através de autoridade em demasia.

Jane Nelsen, autora de “Disciplina Positiva”, livro de grande repercussão no Brasil, traz em suas obras uma espécie de guia para pais e educadores de como colocar em prática as ferramentas sugeridas pela disciplina positiva. A autora reforça que o respeito e a dignidade devem estar presentes na relação com as crianças, pois a afetividade funciona muito melhor do que punições.

Certamente, dentro de uma perspectiva positiva, a conversa e a colaboração são centrais, Adicione também a gentileza com firmeza, a busca pelo autoconhecimento, a autonomia e a responsabilidade. Reforçar aspectos positivos e trabalhar em conjunto para atingir os objetivos também são temas que englobam esta forma de construir a educação. 

Defender uma educação afetiva e firme ante as punições, é o que propõe a disciplina positiva.

Como a disciplina positiva pode ser trabalhada na escola?

Dentro da escola, há inúmeras oportunidades de exercer a disciplina positiva, mesmo que os resultados do investimento exijam mais tempo e paciência. Então, por que vale a pena investir?

Primeiramente há a necessidade de estudo e disposição para a autorreflexão como docente e como pessoa. Os gestores e coordenadores devem alinhar a equipe de trabalho e as diretrizes para que todos tenham os mesmos parâmetros na hora de intervir com os alunos. 

Nessa hora, contar com parceiros que tenham mecanismos para dar apoio na implementação da disciplina positiva na escola é fundamental. Além disso, há algumas razões muito especiais para utilizar esta abordagem nas instituições de ensino. São elas:

  • Respeito mútuo 

De nada adianta solicitar e pregar o respeito se, muitas vezes, os adultos se esquecem de respeitar e ouvir a fundo o que a criança sente ou está se expondo. Por mais simples que possa ser, isso tende a ser apagado e esquecido dentro da escola. Os educadores acabam reproduzindo atitudes mais autoritárias, pois acreditam que, assim, estarão impondo a disciplina mais correta. 

É importante sempre questionar as razões pelas quais o aluno tomou determinada atitude, ouvir todos os lados, procurar exercer a empatia e, depois, através do diálogo, chegar a uma conversa a qual o próprio estudante consiga visualizar suas falhas. Dessa forma, através do exemplo dos adultos, é que ela irá refletir com maior intensidade e tende a reproduzir atitudes respeitosas também. 

Associar respeito mútuo apresenta benefícios para todos: os estudantes se sentem respeitados e os professores têm espaço para construir o conhecimento com toda a turma.
  • Afetividade 

A afetividade é destaque na disciplina positiva e deve estar presente na implementação dentro das instituições de ensino também. Todavia, é importante buscar formas de demonstrar afeto que estejam aliadas à escuta e ao acolhimento, além de procurar nutrir uma relação de confiança juntamente com as famílias e alunos. 

Adotar uma postura afetuosa e amiga não é ser permissivo e não impor limites, mas sim fortalecer os laços, melhorando, ainda mais, os relacionamentos de forma geral.

  • Pregar a gentileza eliminando atitudes violentas 

Isso vale para questões pedagógicas que envolvem planejamento e currículo, bem como a intervenção dos gestores para mudar a cultura de toda a escola. 

Funcionários, docentes e gestores utilizando a mesma linguagem de gentileza, comunicação não-violenta e eliminando qualquer postura mais agressiva, certamente renderão bons frutos. 

Desenvolvendo competências socioemocionais

As competências socioemocionais estão presentes dentro da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e são amplamente desenvolvidas na disciplina positiva. A formação de uma consciência crítica, indivíduos éticos e com preocupação para sanar problemas coletivos são preceitos da BNCC e estão, também, dentro das ações desenvolvidas pela metodologia. 

As relações empáticas que se constituem e o exercício da responsabilidade para consigo mesmo e com os outros fazem do desenvolvimento socioemocional um grande ganho na adoção da disciplina positiva nas escolas. Além disso, uma participação mais efetiva e o engajamento dos alunos em um ambiente no qual se sentem uma parte importante, reflete na aprendizagem dos estudantes em geral.

A disciplina positiva trabalha, também, três tópicos muito relevantes, quando abordamos competências socioemocionais. São eles: o cuidado de si, o cuidado com o outro  e o cuidado com o mundo

Reforçar que os alunos são capazes de vencer obstáculos, que são capazes de desenvolver habilidades e exercer o cuidado consigo mesmo colabora positivamente com o desenvolvimento de todos e trabalha o cuidado de si. 

Por outro lado, o trabalho colaborativo, desenvolver a comunicação, negociar, promover a escuta ativa e a empatia são competências aliadas aos cuidados com o outro. Já o cuidado com o mundo é desenvolvido dentro da disciplina positiva, através da responsabilidade, integridade, flexibilidade e adaptabilidade, por intermédio de escolhas que irão se refletir na sociedade. 

Fomentando a formação de professores voltada à esta temática 

Para que o educador consiga exercer na prática os preceitos da disciplina positiva, é importante que formações teóricas e práticas sejam oferecidas, bem como constantes momentos de troca de ideias e reflexão sobre as práticas. 

O papel da gestão e coordenação é dar constante apoio. O desenvolvimento da empatia, da comunicação não-violenta, da firmeza nas decisões e a busca por soluções é melhor incorporado pela comunidade escolar através dos exemplos dos adultos para com as crianças e adolescentes, bem como de gestores para os demais membros da equipe.

O que o professor pode fazer na sala de aula?

Primeiramente, o professor deve abandonar as chantagens, não fazer comparações, não gritar e utilizar a chamada Reunião de Classe como um momento de conversar sobre os problemas com a turma. Essa reunião é uma oportunidade para que estudantes e professores se dediquem a entender os conflitos e buscar soluções em conjunto.

Além disso, algumas dicas podem ser levadas em consideração como:

  • Perguntar ao invés de mandar: o diálogo deve ser sempre a melhor ferramenta para chegar a um consenso. O hábito de mandar ao invés de perguntar exprime autoritarismo, antagonista da disciplina positiva.
  • Funções em sala de aula: determinar funções, como ajudantes do dia, colabora para o desenvolvimento de responsabilidade coletiva.
  • Senso cooperativo: instigar sempre o espírito coletivo e o trabalho em equipe. Para isso, no planejamento já devem ser pensadas atividades que contribuam para isso.
  • Rodas de encorajamento: encorajar os alunos para falar de si e dos projetos de pesquisa que estão trabalhando, por exemplo, colabora no desenvolvimento da autoestima e da escuta. 

Como contribuição para a formação continuada de professores na sua escola, assim como para promover uma educação de alto nível, o SAS oferece uma consultoria pedagógica especializada, que acompanha a rotina da escola e apresenta as melhores práticas. Entre agora mesmo em contato com os consultores SAS através do banner abaixo!