Atualizado em 16 de novembro | 2020 por Ademar Celedônio

Com a confirmação do adiamento do Exame Nacional de Ensino Médio, o Enem, de novembro de 2020 para janeiro de 2021 por conta da pandemia, chega o momento de o estudante inscrito se preparar da melhor maneira possível para prestar a prova, que define o futuro de milhões de jovens. Diante dos desafios impostos pela suspensão das aulas por conta do distanciamento social, muitos alunos precisam estudar por conta própria, utilizando-se de roteiros de estudos e provas das edições anteriores. No entanto, entre as questões da atualidade, fica a dúvida: a Covid-19 poderá ser cobrada no exame? Possivelmente, não. 

Com 5,8 milhões de inscritos, o Enem é o segundo maior exame do mundo, ficando somente atrás do vestibular chinês, o Gaokao, em que concorrem em torno de 10 milhões de candidatos. Diante de tal dimensão, existe uma logística muito complexa para a elaboração da prova e sua distribuição pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, autarquia ligada ao Ministério da Educação. Para desenvolvê-las, há um processo rígido, iniciado meses antes por um edital de chamada pública para selecionar os professores. Esses são devidamente capacitados de acordo com as exigências do Inep antes de trabalharem no conteúdo. 

Desde 2009, as questões do Enem vêm sendo selecionadas pela metodologia da Teoria de Resposta ao Item (TRI). Os itens são inicialmente elaborados por professores e pré-testados de forma sigilosa com estudantes do Ensino Médio. A partir desses pré-testes, são encontrados indicadores de proficiência dos alunos nos assuntos abordados. Só após todo esse processo, é que elas são aprovadas de forma definitiva para serem incluídas no exame, passando a compor o Banco Nacional de Itens (BNI). Vale ressaltar que, quando as questões passam a compor o BNI, elas podem ficar lá por muitos anos, antes de serem efetivamente utilizadas. O modelo atual do Enem valoriza, ainda, a avaliação de competências e habilidades do candidato nas áreas de conhecimento e, por isso, exige questões mais abrangentes e contextualizadas nos quesitos sociais e econômicos atuais. A montagem do exame, geralmente, acontece em meados de maio. 

Por esta razão, a Covid-19 não deve, portanto, ser contemplada nas questões de atualidade da prova, uma vez que a suspensão das aulas nas escolas públicas e particulares de todo o país em meados de março, inviabilizou a testagem de itens que levariam em consideração as características do coronavírus e seus impactos na sociedade. Outro ponto importante é que ainda estão em andamento as pesquisas sobre esta cepa, a gravidade dos sintomas e até mesmo os meios de transmissão, já que apenas recentemente foi confirmada a possibilidade de contágio pelo ar. É possível, no entanto, que a pandemia e seus impactos econômicos e na saúde pública sejam desdobrados como tema da redação. 

Nos demais exames de vestibular, o cenário é outro. Tanto Fuvest quanto Unicamp, e outros processos seletivos tradicionais, são mais conteudistas e concentram  assuntos comuns às disciplinas do Ensino Médio trazidas ao contexto da atualidade. Com menor tempo necessário para preparo, a pandemia pode ir além do tema da redação e ser exigida em questões de Biologia, Química, Geografia, História (comparação com outras pandemias) e até elementos de estatística e leituras de gráficos na Matemática. 

Portanto, independentemente do exame prestado ao final do ano letivo, o estudante da terceira série do Ensino Médio deve construir um bom roteiro de estudos e continuar atento aos impactos da Covid-19 na sociedade

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