Atualizado em 22 de dezembro | 2020 por SAS

Conquistar uma boa pontuação na redação do Enem é requisito para quem quer garantir uma vaga na universidade. Nesse sentido, uma boa estratégia de estudos é analisar propostas de texto que chegaram à nota máxima. Confira correção comentada de redação do ENEM e conheça os segredos do jogador nota 1.000! 

Com menos de dois meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), candidatos de todo Brasil estão correndo contra o tempo para aprimorar suas habilidades na redação do ENEM, e garantir a tão sonhada nota 1.000. 

O ENEM exige que os estudantes elaborem um texto dissertativo-argumentativclaro e coerente na redação, demonstrando senso crítico e vasto repertório sociocultural. Por isso, é fundamental que consigam dominar as cinco competências principais com maestria. E, sem prática, isso não é possível. 

Para ajudar você a vencer este desafio, nós preparamos o Pratique Redação! do SAS no Enem, uma série na qual vamos apresentar, além de sugestões de proposta e indicações de repertórios  (culturais, legislativos, informativos, etc.), correções comentadas de redações do ENEM, para você praticar sua escrita e ficar por dentro das habilidades argumentativas e conhecimentos de mundo de alunos que atingiram ou chegaram próximos à nota máxima. Vamos nessa?    

Caneta à mão, jogador(a)!    

Correção comentada

Texto:

O uso da liberdade de expressão na sociedade brasileira  

Com efeito, a liberdade de expressão é uma garantia estabelecida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário, e ratificada na Carta Magna brasileira, uma vez que essa premissa legal, entre outros aspectos, permite que um indivíduo se posicione contrariamente ao governo vigente, sem sofrer perseguição, como ocorreu nas Jornadas de Junho, nas quais diversos jovens brasileiros protestaram contra o Estado, sem o receio de serem silenciados, situação inviável durante a vigência -do AI 5 no Período Ditatorial. Ademais, o usufruto da liberdade de expressão possibilita a livre manifestação artística, cultural e jornalística, a qual é fundamental para o desenvolvimento da plena democracia, situação que reforça o caráter salutar da garantia anteriormente citada para a Nação. 

No Brasil, em 1968, o deputado federal, pelo partido MDB, Márcio Campos, exercendo sua liberdade de expressão, proferiu duras palavras contra o regime ditatorial, vigente no País, em um discurso na Assembleia Legislativa. Essa postura contestadora desagradou a alta cúpula militar, o que resultou na instauração do Ato Institucional 5 (AI 5), o qual inaugurou, na Nação, um dos períodos de maior repressão social e política, marcado pela censura. Na atualidade, mesmo o Brasil tendo superado tal regime, o direito à liberdade de expressão não é efetivamente exercido, devido ao seu uso abusivo, conjuntura que requer maior empenho a fim de ser erradicada. 

Todavia, apesar da importância da livre expressão, o uso dessa premissa legal vem sofrendo deturpações no Brasil, pois muitos brasileiros se apropriam erroneamente dessa garantia para ferir indivíduos ou grupos, por intermédio de discursos que desrespeitam os direitos humanos e, por vezes, incentivam o preconceito contra minorias, sob a alegação de estarem utilizando a garantia em debate. Tal conjuntura caracteriza um abuso da liberdade de expressão, o qual pode configurar-se como um crime de calúnia e difamação, por exemplo. Essa realidade se deve, em parte, ao desconhecimento, entre parcela da população brasileira, do limite da livre expressão, que é delimitado a partir do momento em que há discriminação; bem como das penalizações, previstas no Código Penal, aplicadas às pessoas que fazem uso abusivo da premissa supracitada.  

Portanto, com o objetivo de garantir o pleno usufruto da liberdade de expressão, por meio do respeito a outras garantias, é relevante que Organizações Não Governamentais (ONGs) atuantes na defesa dos direitos humanos promovam uma cultura de informação acerca da livre expressão, mediante a realização de campanhas midiáticas, veiculadas em redes sociais. Tais campanhas devem ressaltar a importância dessa premissa, abordando a necessidade de usá-la de modo responsável, e explicitar as penalizações contra quem as utilizar abusivamente.  

Comentários:

Tema: O tema tem como foco, de forma abrangente, o uso da liberdade de expressão no Brasil, suscitando questões relacionadas ao contexto histórico de garantia desse direito no país, bem como à forma abusiva como vem sendo tratado atualmente. 

1ª Competência: O texto demonstra domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, além de evidenciar períodos muito bem construídos, apresentando uma excelente construção sintática, o que contribui para a fluidez da leitura e a compreensão das ideias presentes nele. 

2ª Competência: A autora do texto comprova que compreendeu bem a proposta de redação, pois desenvolve muito bem todas as palavras-chave que constituem o foco temático e apresenta uma argumentação consistente, demonstrando um excelente domínio do tipo textual dissertativo-argumentativo, com referências e argumentos do seu repertório sociocultural, os quais extrapolam os textos motivadores. Na introdução, ela contextualiza o uso da liberdade de expressão com o período histórico do Regime Militar, quando essa garantia foi cerceada da população com a censura. Em seguida, a tese é explicitada no que diz respeito ao direito à livre expressão, mesmo após a superação desse regime ditatorial, ainda não ter se efetivado no país, devido ao caráter abusivo com o qual vem sendo tratado. Nos dois parágrafos de desenvolvimento, há a defesa da tese com uma argumentação coerente, progressiva e informativa, sobre a relevância de tal direito, estabelecida pela Declaração dos Direitos Humanos e ratificada na Carta Magna brasileira, as quais foram articuladas pela autora, comprovando repertório pertinente e produtivo. Ainda na fundamentação da importância desse pressuposto legal, há a apresentação de outro repertório, o qual relaciona tal relevância às Jornadas de Junho, série de manifestações possíveis no Brasil atual, mas inviáveis quando esse momento é comparado ao Período Ditatorial, na vigência do AI-5, mostrando quão importante é assegurar esse direito. Em seguida, a autora problematiza a questão a partir da deturpação sofrida por essa premissa legal na atualidade, em que as pessoas se apropriam da garantia para justificar discursos de ódio, incentivando, muitas vezes, o preconceito a minorias. Na conclusão do texto, é proposta uma ação educativa para que haja uma cultura de informação acerca da livre expressão e de seu uso adequado. 

3ª Competência: A redação apresenta encadeamento lógico de ideias e evidencia um projeto de texto claro, demonstrando que a autora conseguiu selecionar, relacionar e organizar fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista relacionado à forma abusiva com a qual o direito à liberdade de expressão tem sido erroneamente utilizado no Brasil, problematizada a partir do desconhecimento dos limites dessa garantia por parte da população. Logo, o recorte temático é desenvolvido de maneira coerente, os argumentos selecionados são consistentes e justificam a tese defendida. Para finalizar, a proposta de intervenção, centrada na promoção de uma cultura de informação acerca de tal direito, retoma o que foi exposto nos parágrafos anteriores, direcionando ações sociais relacionadas à problemática. Assim, é perceptível que a autora desenvolve um texto bem organizado, pois cumpre com êxito o que foi planejado em seu projeto de texto, configurando autoria. 

4ª Competência: A estruturação do texto explicita recursos coesivos que dão continuidade e articulação ao que foi escrito, revelando que a autora domina mecanismos linguísticos e textuais de encadeamento e referenciação necessários à construção da argumentação. Identifica-se a utilização diversificada de pronomes e de expressões de base nominal para retomar referentes do contexto anterior. Como exemplo disso, pode-se destacar “Essa postura contestadora […]”; “Tal conjuntura […]”; “[..] uso abusivo da premissa supracitada.”; entre outros. Além disso, a autora recorre a vários conectores responsáveis por expressar relações lógicas e promover encadeamento textual, tais como “o que”; “o qual”; “devido a”; “uma vez que”; “nas quais”; “ademais”; “apesar de”; “pois”; etc., com destaque para os operadores argumentativos interparagrafais: “todavia” e “portanto”. 

 Competência: A proposta de intervenção exposta no texto está relacionada ao tema e bem articulada à discussão desenvolvida, apresentando os cinco elementos necessários: com o objetivo de garantir o pleno usufruto da liberdade de expressão (efeito), Organizações Não Governamentais atuantes na defesa dos direitos humanos (agente) podem promover uma cultura de informação acerca da livre expressão (ação) mediante a realização de campanhas midiáticas (modo) veiculadas nas redes sociais (detalhamento). Além desses cinco elementos, a autora ainda explicita mais informações, também consideradas detalhamentos por se apresentarem como efeitos do efeito já exposto: tais campanhas devem ressaltar a importância dessa premissa, abordando a necessidade de usá-la de modo responsável. 

Agora que você pôde ver, na prática, como as cinco competências principais da Redação do ENEM são avaliadas, que tal colocar o conhecimento no papel? Pratique sua escrita! 

Lembrando que, com o SAS, você fica por dentro das principais dicas sobre o ENEM. Basta acessar o portal SAS no ENEM e aproveitar nossos conteúdos gratuitos

A correção comentada de Redação do ENEM utilizada nesta postagem foi concedida pelo Laboratório de Redação do Colégio Ari de Sá, escola parceira do SAS em Fortaleza, Ceará, e referência nacional em aprovação no exame.